Os 5 ratos que orbitaram a lua à bordo a Apollo XVII
- José Fernandes Reis
- 17 de set. de 2024
- 4 min de leitura

A missão Apollo 17, lançada pela NASA em 7 de dezembro de 1972, é mais conhecida por ser a última missão tripulada à Lua, marcando o fim do programa Apollo. O astronauta Eugene Cernan, comandante da missão, foi o último ser humano a caminhar no solo lunar, encerrando uma era de exploração espacial que capturou a imaginação de milhões ao redor do mundo. Mas o que muitas pessoas não sabem é que, junto com os astronautas, cinco companheiros incomuns participaram dessa jornada histórica: cinco ratos de laboratório.
Esses ratos, que orbitaram a Lua a bordo do módulo de comando da Apollo 17, desempenharam um papel importante na pesquisa sobre os efeitos da microgravidade e da exposição prolongada ao espaço em organismos vivos. Embora possam ter passado despercebidos pelos grandes eventos da missão, esses pequenos roedores ajudaram a abrir caminho para a ciência espacial como a conhecemos hoje.
O Contexto da Missão Apollo 17
A Apollo 17 foi a última e a mais longa missão do programa Apollo. Comandada por Eugene Cernan, acompanhada pelo piloto do módulo lunar Harrison Schmitt (o único geólogo a caminhar na Lua) e o piloto do módulo de comando Ronald Evans, a missão tinha como objetivo principal realizar estudos geológicos na superfície lunar e trazer de volta amostras valiosas de rochas lunares.
No entanto, além dos experimentos geológicos, a NASA tinha grande interesse em estudar os efeitos da viagem espacial em organismos vivos. O espaço oferece condições extremas e únicas, como a ausência de gravidade, radiação cósmica e a falta de pressão atmosférica. Esses fatores afetam os seres vivos de maneiras que ainda estamos aprendendo, e, em 1972, a ciência espacial estava apenas começando a desvendar os efeitos do espaço em seres humanos e animais.
A Missão dos Ratos
Os cinco ratos que participaram da missão Apollo 17 faziam parte de um experimento que investigava como os mamíferos reagiriam à viagem espacial, em particular à exposição prolongada à microgravidade e à radiação espacial. Eles foram transportados no módulo de comando da Apollo, em compartimentos especialmente desenhados para garantir sua segurança e monitorar suas condições durante o voo.
Os ratos não desceram à superfície lunar com Cernan e Schmitt. Em vez disso, ficaram a bordo do módulo de comando "America", onde orbitaram a Lua junto com o astronauta Ronald Evans, enquanto seus colegas exploravam o solo lunar no módulo lunar "Challenger". Durante os seis dias de missão, os ratos completaram várias órbitas lunares, experimentando a ausência de gravidade e a radiação espacial da mesma forma que os astronautas.
O Propósito Científico
O principal objetivo da presença dos ratos a bordo da Apollo 17 era estudar os efeitos da exposição espacial no cérebro e sistema nervoso central. A NASA queria entender como a microgravidade e a radiação espacial afetavam a função neurológica dos mamíferos, e os ratos eram ideais para isso por causa de sua biologia semelhante à dos humanos. Compreender essas reações era (e continua a ser) crucial para o planejamento de missões espaciais de longa duração, como as futuras viagens a Marte, que expõem os astronautas a meses ou até anos de condições espaciais adversas.
Os experimentos permitiram que os cientistas observassem as alterações nos cérebros dos ratos após a missão, comparando os resultados com os de ratos que ficaram na Terra. Após a missão, os corpos dos ratos foram cuidadosamente examinados para detectar possíveis alterações nos tecidos cerebrais e no sistema nervoso. Esses dados foram usados para melhorar nosso conhecimento sobre os efeitos neurológicos da microgravidade e da radiação cósmica.
Resultados e Legado
Os resultados obtidos com os ratos da Apollo 17 ajudaram a informar futuros experimentos sobre como o espaço afeta a saúde dos astronautas. Um dos achados importantes foi a observação de que a microgravidade pode causar mudanças nos fluidos corporais e no cérebro, influenciando o equilíbrio, o humor e até mesmo a percepção do tempo.
Embora o público muitas vezes se concentre nas grandes realizações da missão Apollo 17 – como as explorações geológicas e as famosas palavras de despedida de Cernan na superfície lunar – os experimentos com os ratos representam uma importante contribuição científica. Eles ajudaram a construir uma base de conhecimento sobre os efeitos biológicos da exploração espacial, essencial para as missões futuras.
Além disso, a inclusão de organismos vivos em missões tripuladas ao espaço também abriu o caminho para os experimentos biológicos mais avançados conduzidos em estações espaciais, como a Mir e a Estação Espacial Internacional (ISS). Hoje, esses experimentos são rotineiros e fornecem dados importantes para garantir a segurança dos astronautas em missões prolongadas, como a futura exploração de Marte.
Conclusão
Embora pequenos e talvez despercebidos no contexto geral da missão Apollo 17, os cinco ratos que orbitaram a Lua em 1972 representaram um marco importante na pesquisa sobre os efeitos da viagem espacial em organismos vivos. Sua participação na missão ajudou a expandir nosso entendimento sobre as condições extremas do espaço e contribuiu para o avanço da ciência espacial, ajudando a pavimentar o caminho para as missões de exploração de longa duração que ainda estão por vir.
Hoje, enquanto nos preparamos para novas missões para a Lua e além, a pesquisa com organismos vivos continua a ser uma parte crucial dos planos para garantir a saúde e o bem-estar dos astronautas. E esses cinco ratos corajosos, que orbitaram a Lua com os astronautas da Apollo 17, têm seu lugar na história da exploração espacial como pioneiros silenciosos, mas significativos, na ciência biológica espacial.
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